A importância do brincar no desenvolvimento infantil

A criança deve desfrutar plenamente de jogos e brincadeiras os quais deverão estar dirigidos para educação; a sociedade e as autoridades públicas se esforçarão para promover o exercício pleno deste direito”. (DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA, PRINCÍPIO VII, aprovada na Assembleia Geral das Nações Unidas em 1959).

O brincar é uma das formas mais comuns do comportamento humano, principalmente durante a primeira infância. Brincar pode ser uma “ferramenta”, por excelência, para que a criança desenvolva capacidades que são extremamente importantes para seu desenvolvimento: atenção, memória, imitação, imaginação, etc.

Segundo Vygotsky, o brincar é uma maneira de expressão e apropriação do mundo das relações, das atividades e papéis dos adultos. A capacidade para imaginar, fazer planos, apropriar-se de novos conhecimentos surge, nas crianças, através do brincar.

A criança por intermédio da brincadeira e das atividades lúdicas atua, mesmo que
simbolicamente, nas diferentes situações vividas pelo ser humano, reelaborando sentimentos, conhecimentos, significados e atitudes. Assim, descobre, compreende o papel dos adultos, aprende a comportar-se e a sentir-se como eles.

O Jogo simbólico (VYGOTSKY, 1998) é uma atividade típica da infância e essencial ao desenvolvimento infantil, ocorrendo a partir da aquisição da representação simbólica, impulsionada pela imitação. Ao brincar, as crianças recriam o mundo, não para mudá-lo, mas simplesmente para compreendê-lo.

Descobrem quais são seus limites, suas potencialidades, exercitando a autonomia e a identidade, analisando as situações apresentadas nos jogos e nas brincadeiras, tomando decisões e por fim fazendo suas próprias escolhas. Ao brincar a criança aprende o que mais ninguém lhe pode ensinar.

A ciência comprovou que o desenvolvimento do cérebro se dá através das experiências que a criança faz no brincar. É aí que ela desenvolve as sinapses necessárias para, na escola, aprender a ler, escrever, calcular e muitas outras habilidades. (FRIEDMANN, 2005).

Brincando de faz-de-conta as crianças podem também reviver situações que lhes causam excitação, alegria, medo, tristeza, raiva ou ansiedade. Elas podem, nesse jogo mágico, expressar e trabalhar as emoções, muitas vezes difíceis de suportar. É a partir de suas ações nas brincadeiras que elas exploram as diferentes representações que têm dessas situações difíceis. Assim, podem melhor compreendê-las ou reorganizá-las. (CRAIDY e KAERCHER, 2001).

Qual é então o papel do adulto diante do brincar da criança?

Ao brincar com uma criança, um adulto está fazendo uma demonstração do seu amor, reforçando os laços afetivos. Sua participação na brincadeira eleva o nível de interesse, enriquece e estimula a imaginação das crianças.

Mas não basta estar presente fisicamente, é preciso ir além, doar-se à participação. De acordo com a teoria Winicottiana, é preciso uma presença suficientemente boa, ou seja, estar com a criança de corpo, alma e coração.

As brincadeiras precisam ser prazerosas e também são momentos de aprendizagem. O aprender e o brincar envolvem momentos de alegria, participação e cumplicidade entre o adulto e a criança.

Assim, é possível orientar a exploração e a construção do conhecimento, criar oportunidade para que a criança expresse suas múltiplas linguagens, estimular a imaginação das crianças, despertar ideias e incentivar a busca de soluções para os problemas que vão surgindo contribuindo para o desenvolvimento da autonomia.

Ao brincar com as crianças, é preciso procurar estimulá-las e ainda servir de modelo, ajudando-as a crescer, levando em consideração a fase da infância em que cada uma se encontra. Cada fase da infância  apresenta características e necessidades próprias e requer atividades diferenciadas. Podemos dividir tais fases em três grupos, a saber:

0 a 2 anos de idade

Predomina os jogos de exercícios
1 – Criança adquire competências motoras (pular, saltar, correr, etc.);
2 – Aumenta a sua autonomia;
3 – Prefere o chão ao berço (explorando melhor o mundo que o cerca);
4 – Realiza tentativas de imitação da fala;
5 – Revela prazer ao nível da descoberta do seu corpo através dos sentidos.

Entre os 2 e 6 anos de idade

Predomina a Simbologia
1 – Os jogos simbólicos são possíveis, nesta fase, pois a criança é capaz de produzir imagens mentais;
2 – O “faz de conta”, as histórias, os fantoches, o desenho, o brincar com os objetos atribuindo lhes outros significados, etc.
3 – A linguagem falada permite-lhe o uso de símbolos para substituir objetos.

A partir dos 7 anos de idade

Predominam as brincadeiras e jogos com regras
1 – Está desenvolvendo estratégias de tomada de decisões.
2 – Segue regras, experimenta formas de comportamento e socializa-se, descobrindo o
mundo à sua volta.
3 – No brincar com outras crianças, elas encontram os seus pares e interagem
socialmente, descobrindo desta forma que não são os únicos sujeitos da ação.

É através da atividade lúdica que a criança se prepara para a vida, assimilando a cultura do meio em que vive, integrando-se nele, adaptando-se às condições que o mundo lhe oferece e aprendendo a competir, cooperar com os seus semelhantes: a conviver como um ser social.

Da redação.

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