O lado B da tecnologia no século XXI: uma abordagem pedagógica

O grande desafio da educação no século XXI parece estar centrado na formação de um indivíduo que conhece e desenvolve habilidades em alta velocidade. Neste contexto, o uso de equipamentos eletrônicos tem sido abordado com grande veemência, favorável ou contrariamente. É sem duvida um assunto bastante controverso.


É possível encontrar uma série de discursos em que o uso dos equipamentos eletrônicos é útil para o desenvolvimento de habilidades específicas e fundamentais para o ser humano atual. Há quem diga que não deixar os pequenos “treinarem” pode exclui-los de um mundo cada vez mais digital. Por outro lado, vários estudos apontam modificações de comportamento e até mesmo de fundo neurológico em crianças expostas ao uso da tecnologia.

Como tudo que envolve a educação e a formação dos indivíduos, parece que o segredo está na mediação do adulto. Do ponto de vista pedagógico, as profissionais da área respondem a uma enquete:

1 – Qual seria o momento de dar um eletrônico a criança?

As crianças precisam ser estimuladas a explorar primeiramente o mundo e as relações com as pessoas que a rodeiam, afinal estão construindo seus pensamentos, valores, relacionamentos, etc. Antes de a criança ter o contato com um jogo eletrônico precisa aprender a brincar com o outro, a dividir brinquedos, a explorar espaços e administrar a atenção dos adultos, entender o certo e o errado, verbalizar suas vontades. Por isso, torna-se difícil precisar o tempo, já que cada criança tem um ritmo diferente de desenvolvimento.

2 – Qual a visão da escola diante das fases que a criança tem que vencer até chegar a operar um equipamento eletrônico?

As crianças estão inseridas no mundo e precisam aprender a viver nele. Desde pequenas moldam seu comportamento e constroem relações de acordo com os estímulos que recebem. Por isso, precisa vivenciar situações em que seja estimulada a aprender as estratégias de comunicação e atitudes para que possa se relacionar com este mundo e com as pessoas que a cercam.

3 – Várias escolas têm feito uso de eletrônicos em sala de aula? Existe algum critério?

Na escola é possível inserir sim, mas com objetivos estritamente pedagógicos, numa situação de aprendizagem e aprimoramento das habilidades digitais. Entretanto, há sempre o cuidado com o conteúdo e com o tempo de exposição.

4 – Uma vez “presenteado” com um equipamento deste, o que fazer?

É fundamental que os pais tenham a voz de comando e imponham limites. Assim, mesmo que já tenha inserido o equipamento, considerando a idade da criança, vale a boa conversa, orientando, combinando regras para a utilização sempre deixando claro para a criança os motivos pelos quais as regras devem prevalecer. Mesmo quando utilizado como “válvula de escape”, ou seja, naquele momento em que a criança precisa ficar entretida, uma forma inadequada é permitir que ela navegue sem supervisão e por tempo indeterminado. O uso consciente, com jogos de entretenimento que estimulem seu aprendizado, não se torna prejudicial, mas ainda é fundamental priorizar as interações sociais.

REFLEXÃO

– Que modelo estamos sendo para nossos filhos, se nós mesmos usamos indiscriminadamente até expondo-lhes sem seu consentimento?

– Que forma de comunicação queremos para nossos filhos, se não lhe dermos oportunidade de interação social?

– Será que não estamos indo contra uma tendência, o mundo não está mesmo ficando mais digital?

– Será que privá-los dessa ferramenta não vai impedi-los de um desenvolvimento intelectual diferenciado?

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